Barbas o pacificador.


 

Acordei com a dúvida sobre onde deveria celebrar, conjuntamente com um amigo de longa data, o qual tratarei apenas por “Leon o Profissional”, o seu aniversário.

Ponderei o Eleven pois já ouvi falar do mesmo com parcimónia, admiti regressar ao Tavares Rico, local onde já tive oportunidade de me sentar, mas acabei no Barbas da Costa da Caparica. Nunca lá estive e a oportunidade de ser servido por alguém que se assemelha ao Rúbeo Hagrid (para os mais leigos o barbudo do Harry Potter) surgiu como algo a ponderar.

Optei pelo Barbas da Costa da Caparica e fui encaminhado para a “Catedral”, um dos restaurantes do império do senhor da Costa da Caparica e no qual me recomendaram a caldeirada de peixe. Confesso que me transmitiram a ideia de que a famosa caldeirada de peixe já teria sido boa em tempos idos, sempre com a ideia de que “a caldeirada do Barbas já não é aquilo que era”, mas mesmo assim decidi arriscar pois, foi com atitudes como a minha é que os portugueses chegaram à Índia (sempre com a ideia de que a caldeirada do Barbas em 1989 seria muitíssimo diferente da caldeirada do Barbas em 2021…).

Decidi arriscar com o preconceito que retenho desde criança e que me faz lembrar das caldeiradas como grandes porções de peixe cozido em água com tomate, alho, azeite, batata, cebola e pimentos, relembrando sempre o velho provérbio machista que refere que “Na época do tomate toda a mulher é boa cozinheira”.

Sentei-me, olhei em redor e senti-me como se fosse a águia vitória antes da sua hora de almoço. Aguardei com algum receio que o Barbas passasse próximo de mim e que, sem querer, me afagasse a testa com as suas longas barbas, mas não. Nada disso aconteceu.

Serviram-me e pacificaram-me, pois o que me recordava ser uma amálgama de peixe cozido passou a ser raia, cação, tamboril (com as suas respectivas ovas) e safio. Esse peixe danado de tantas espinhas e que custa tanto a comer. Tudo servido numa dose capaz de acalmar um camionista esfomeado.

Gostei Barbas, gostei.

Gostei da escolha do peixe e sobretudo da sua opção em não conspurcar a caldeirada (prato de pescadores que se desenrascavam na praia) com doses de salmão pois, o mesmo faz tanta falta na caldeirada como uma guitarra num enterro. Acompanhámos com vinho branco rótulo Barbas, reserva 2014, transmontano com castas vinosinho e côdega de Larinho sempre com a moderação a que Gungunhana nos habituou.

Enfim, que se dane o Eleven e o Tavares Rico pois fico a dever uma afagadela nas barbas do Barbas numa próxima oportunidade, com um beliscãozinho nas suas bonitas bochechas em sinal de gratidão acompanhado de um “- Lindo Barbas, boa caldeirada!” sempre com a expectativa de não acabar servido em postas numa próxima caldeirada, disfarçado de um peixe qualquer (brincadeirinha, claro. Barbas seria incapaz de o fazer. Mas na medida das dúvidas, se Gungunhana desaparecer do radar, busquem-me algures pela Costa da Caparica. É provável que esteja por lá).

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